Em 2018, por um breve período de tempo, participei de alguns projetos culturais e exposições. Foi uma época intensa de ansiedade, descoberta e tentativas de fazer a minha arte ser vista. Havia concluído a graduação em fotografia com um trabalho de conclusão muito bem conceituado e incentivado pelos integrantes da banca como um tema para tese de mestrado. Nem a pau que eu vou fazer mestrado, pensei na época. O esgotamento perto do fim da faculdade era total.
As fotografias desenvolvidas no meu TCC, no entanto, foram selecionadas em um edital que contemplou Jovens Artistas de Santa Catarina. Meses depois, fui selecionado em outro edital de Florianópolis, mas não consegui seguir com o projeto e tive que dar a minha vaga para outra pessoa. Isso me assombra até hoje — uma sensação de oportunidade perdida; de ter andado no caminho oposto do que eu pretendia para a minha carreira de artista.
Nesses últimos 8 anos, meu desejo de trabalhar com cultura continuou matutando bem quietinho no inconsciente. Com a pandemia e todo o horror que seguiu, fiquei no meu canto desenvolvendo os meus projetos próprios, aprendendo a desenhar e pintar, tocando violino e evoluindo como pessoa. Por um período, o meu olhar se voltou para a arte como um processo interno — portanto não importava muito quem visse o que eu estava fazendo, já que o fazer era mais revigorante do que o resultado final.
Descobri na escrita, através de publicações periódicas em , uma maneira de trazer para fora a arte que ficou borbulhando dentro de mim. A fotografia e a arte digital tomaram o assento de coadjuvante nessa aventura, servindo apenas como acompanhamento para os textos que protagonizaram a minha história por quatro anos.
No fim das contas, tudo vira uma coisa só. A escrita, em conjunto com a arte visual, criou um corpo de trabalho sólido sobre processos internos, vivências artísticas e ensaios sobre a minha própria existência no mundo.
Em 2026, notei um amadurecimento no que eu me propunha a fazer. A inquietação de estar presente na cultura — não somente como um escritor de crônicas e observador de espaços urbanos através da fotografia — voltou com tudo. Minha forma de enxergar a produção de arte e a maneira de exibi-la, mudou. Antes, queria que minhas fotografias fossem quadros a serem observados em galerias. Hoje, minha arte requer uma expressão maior, um envolvimento com o que acontece na cidade, e como a cidade transforma a maneira que eu — e você — vivo (vivemos).
Andar de bicicleta como forma de transporte cotidiano alterou como eu vejo o bairro, as ruas e o comportamento das pessoas. Percebo como é necessário estar mais atento ao que acontece ao meu entorno e como a hierarquia do trânsito tende a me espremer entre os meios-fios e pedestres. O pedal é livre, mas a cidade é fixa — parece que não quer mudar. O diferente incomoda, porque atrapalha a ordem natural das coisas (essa realidade de que os carros são mais importantes).
Sigo pedalando e fotografando a cidade como ela é.
Minha arte culmina aqui. Por isso, comecei a desenvolver projetos para propostas culturais que falam sobre a existência urbana, a fotografia, os sons locais e como a intervenção do acaso interfere na percepção de um ambiente, de uma memória.
Estou curioso e empolgado para descobrir o resultado disso tudo. É neste espaço, , onde trarei as atualizações de bastidores e construirei o meu acervo de produção cultural em Florianópolis, Santa Catarina e Brasil. É um começo, digo, uma continuação do que dei início lá em 2018.
Até a próxima maré!


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