Na foto: E. E. Ensino Médio Prof. João Germano Imlau – 2015. Jonathan Holdorf.

“Você pode perder tudo na vida, mas nunca poderão tirar o seu conhecimento” – foi uma das frases que eu mais ouvi dos professores na escola. Hoje, venho nesta carta expressar a importância dessas palavras. Também venho ressaltar a importância das palavras.

Estamos passando por um momento pelo qual ficar calado é impossível. Por muito tempo tentei me distrair e distrair as pessoas que me seguem com conteúdos divertidos, otimistas e belos. O belo não sumiu da minha vida e eu permaneço otimista, pois sei que tudo passa e que as coisas mudam.

Entretanto, escrevo esta carta e escreverei outras mais, porque tenho o dever como cidadão em defender a liberdade dos que estão ao meu redor, a minha liberdade e a liberdade daqueles que pedem o fim dela. Não posso ficar em silêncio diante de ameaças, diante do descaso para com os seres humanos, diante das palavras horrendas que são proferidas dia após dia.

Mas como protestar sem poder ir às ruas? Como lutar pelos nossos direitos sem fazer barulho?

Nós temos as palavras. Nós temos a arte. Nós temos conhecimento. Mais do que nunca, temos ferramentas que transcendem o espaço físico. Precisamos espalhar a voz e a pluralidade de ideias. Isso não é sobre uma opinião política. 

Empatia pelo outro não é opinião.

Liberdade não é opinião.

Desejar ditadura não é opinião.

Armar pessoas para gerar o caos não é opinião.

Opinião não vence a ciência.

Morte não é opinião.

É neste instante que separo o meu eu, que sofreu ansiedades e precisava de um tempo longe desses assuntos, para o eu que não se calará diante dessas atrocidades. Sou uma pequena voz em uma multidão que não para de gritar, mas sou uma voz.

Enquanto houver uma voz haverá esperança.

Por isso, sejamos mais do que uma voz.