Texto originalmente publicado na minha newsletter

É muito difícil que exista alguma fotografia minha que não tenha sido editada ao som das minhas músicas favoritas. Para cada época do ano existe um álbum que eu ouço com muita frequência e, consequentemente, as minhas séries fotográficas nascem delas. 

Em 2016, Paisagens Flutuantes só foi desenvolvido porque eu ouvia às composições da Birdy, em seu álbum Beautiful Lies. Imagine o que seria dessas fotos se não fosse pela música QUEENDOM, da Aurora e suas mensagens sobre a mãe-natureza?

O que eu quero dizer é que fazer fotografia – não apenas o clique, mas o processo de pós-produção, que é tão fundamental quanto – está intrinsecamente ligada à música. Pelo menos para mim. 

Jonathan Holdorf. 2019.

Observe a fotografia acima. Ela faz parte de um corpo de trabalho criado ao me sentar no banco traseiro de um carro e fotografar paisagens em movimento. É uma tarefa difícil, pois preciso enquadrar o instante em segundos. Aqui, mesmo sem fones de ouvido, o álbum Purpose da Taeyeon dançava pela minha memória. Ao ouvir às músicas eu lembro das fotos. Ao ver as fotos, relembro das músicas.

Jonathan Holdorf. 2020.

Agora, passando por uma quarentena pela qual tudo é incerto, e tendo que ver as bobagens feitas por pessoas que deveriam ter um pingo de noção das consequências de suas artimanhas, me pego novamente tentando criar. Quem sabe uma forma de escape, quem sabe uma necessidade de rever o meu trabalho e pensar: “olha só, eu não sou tão ruim assim”. Como fazer fotografias em momentos que não se pode sair de casa? Lembra de quando eu falei sobre a importância da pós-produção?

Estas imagens com estrelas que ilustram a carta de hoje são fotografias que fiz em diferentes momentos da vida, agora unidas para criar uma terceira versão, uma versão mais esperançosa, talvez, onde a imensidão do universo me acalma, me dá conforto, mostra que sempre há um amanhã.

E claro, para elas também existem músicas. Neste caso me refiro ao álbum Love Poem, da incrível cantora, compositora, atriz, produtora (ufa!) IU (Lee Ji Eun). Todas as músicas são incríveis e serviram de inspiração, mas deixo essa indicação em específico, pois ela resume o que eu quero dizer no dia de hoje.

Poemas são danças ditadas pelo ritmo das palavras. Músicas unem-se pelas suas notas e complexidade de sons, criando um turbilhão de pensamentos saltitantes. Construídas pelo acaso, em consequência de arranjos e melodias, estas fotografias resultaram em um Poema de Amor.

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