Texto originalmente publicado na minha newsletter


Engraçado. 

Eu nasci no mundo analógico. No início dos anos 2000 carregava comigo uma daquelas câmeras fotográficas de plástico e registrava tudo o que se apresentava na minha frente.

Ao sair de férias com os meus pais, percorrendo os longos e tortuosos caminhos até a serra gaúcha, observando as planícies e infinitas plantações de árvores carregadas de maçãs, a fotografia sempre esteve a um clique de distância.

Eu via os cânions de Itaimbezinho e capturava a sua monumental existência. Tudo, naqueles tempos, era passível de registro.

Agora, quando leio sobre o nosso vício em fotografar cada momento das nossas vidas para publicar nas redes sociais, percebo que praticamente não tenho arquivos do meu dia a dia. Será que eu parei de viver ou será que o celular tirou a minha vontade de fotografar?

Eu nunca lembro que carrego uma câmera no meu bolso diariamente e dificilmente levo a minha câmera fotográfica DSLR para as minhas saídas em momentos que deveriam ser lembrados.

Será que é porque virou o meu trabalho? Ou será que eu não sinto a necessidade de representar a minha vida em recortes? 

Eu guardo as lembranças na minha memória, mas até quando as terei registradas no meu HD orgânico chamado cérebro?


Fotografia: Aparados da Serra. Jonathan Holdorf. Data Desconhecida.

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