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Era tão difícil para aquela criança contentar-se com a sua vida. Ela sempre quis mais, sempre imaginou o mundo muito além do que estava disposto em frente de seus olhos. Queria voar, mas não tinha asas. Muitas vezes sentia como se alguém as tivessem cortado.

O que a fazia viajar pelo universo e enxergar as suas possibilidades eram os seus livros de ficção científica e seu caderno de recortes no qual ela guardava todas as obras de arte que chamavam a sua atenção em revistas, jornais e sites da internet.

Entretanto, ela sempre voltava para a mesma obra, a mesma imagem que ficava cutucando o seu cérebro com um graveto afiado. Era um balão flutuando sobre uma bela paisagem. Porém o balão tinha algo peculiar sobre ele: o que o fazia flutuar era um olho gigante. Dentro do cesto repousava uma cabeça decepada.

A criança ponderava sobre como aquela cabeça devia ser feliz. Ela podia voar, ver o mundo com o seu olho gigante e nunca mais se preocupar com o que havia lá embaixo. 

Ela sonhava em fazer o mesmo.

Apenas sonhava.

Eye-Balloon. Odilon Redon.
1878.


Quando eu ainda era um pequeno estudante em uma escola pública do interior do Rio Grande do Sul tive de responder a uma pergunta sobre um dos meus maiores sonhos. Eu não lembro qual foi a matéria ou a professora, porém ainda lembro muito bem do que escrevi no meu caderninho com a minha letra toda torta.

“Meu sonho é aprender a tocar harpa.”

Assim como o meu sonho de tocar violino, harpa sempre foi um instrumento que me fascinou. Foi em uma das viagens com a minha família para Gramado, no RS, durante o Natal, que compramos um CD de músicas natalinas tocadas nesse instrumento. Eu ouvia e ouvia repetidas vezes enquanto me encantava pelo som das cordas soltando suas melodias ao vento. Elas voavam alto e dançavam pelo ambiente como coloridos balões flutuantes.

Enquanto eu assistia a um episódio da terceira temporada de Anne With an E, que fui lembrado de mais um sonho que venho cultivando há anos: fotografar balões de ar quente. Durante o episódio, Anne e sua família fazem uma pequena viagem pelos céus da Ilha do Príncipe Eduardo, contemplando as belezas de um mundo que parece insignificante quando visto das alturas. Eu sempre gostei de ver fotografias de festivais de balonismo e tenho muita vontade de fotografar um evento assim.

O céu fica colorido, os balões parecem criaturas vivas que transformam todo o cenário em um mundo fantástico saído das páginas de um livro. Tem algo sobre ver centenas de balões no céu que me encanta de uma forma inexplicável. Por isso, espero conseguir realizar este sonho algum dia.


Este pequeno vídeo do National Geographic mostra um time lapse de um festival de balonismo em Novo México. É completamente mágico!

trabalho de Odilon Redon disponível no acervo do MoMA

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