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Como fotógrafo, sempre me senti um pouco deslocado por não fazer grandes retratos de pessoas. Minhas fotografias, pelo menos boa parte delas, abrem as portas para um mundo que está ali, mas se esconde nas cortinas da ausência. Veja bem, ausência não significa falta de presença. Na minha visão, principalmente se tratando de fotografia, a ausência significa a presença que já passou.

O que me impressiona na ausência é a sua insistência gritante em querer ser notada. Às vezes sinto um zumbido no ouvido como se aquela cena estivesse tentando me falar algo, contar a sua história, mas sempre ficando congelada pelo registro que não se move.

Não fotografar pessoas me fez descobrir o mundo sob outra perspectiva: o mundo sem as pessoas como protagonistas. Vejo apenas as suas ações, mas não os seus rostos. Posso rastrear as suas pegadas, mas não conheço os seus destinos.

O que acontece quando o protagonista sai do palco? Deixamos as luzes se apagarem e as cortinas fecharem ou continuamos sentados assistindo à peça?


Me inspirei neste post para criar este post. Ao tentar decifrar o que minhas fotografias recentes queriam dizer, pesquisei sobre alguns trabalhos aleatórios na internet. Encontrei as obras de Peter Marlow. Em seus ensaios, Marlow busca retratar ambientes com resquícios da passagem humana, porém abandonados, melancólicos e ausentes.

Esse tipo de fotografia me agrada, pois eu sei que existem as ações de pessoas em cada cenário, entretanto o silêncio de cada registro é muito mais evidente do que a presença de um ser humano.

Mais uma indicação é este curta-metragem, que eu assisti há uns 4 anos e se tornou um dos meus favoritos. Seu título é The Camera e também retrata a ausência na fotografia.

Por isso eu trago o desafio: faça fotografias da ausência na sua vida e responda este e-mail com as suas imagens favoritas. Sinta-se livre para criar como achar melhor.


Abaixo você vê algumas das minhas fotografias de ausência.
Lembre-se que, mesmo na ausência, há presença.

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