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O dia é escuro. A estrada está molhada. O céu me encara com um semblante de raiva. Eu observo as paisagens dançando pelo visor da minha câmera. Elas passam rapidamente. Correm. Não esperam que eu me prepare. São cruéis, em constante mudança. “Esteja pronto”, elas dizem. Eu tenho segundos para fazer o registro.

Nenhuma nuvem será igual. Nenhuma árvore continuará da mesma forma. Tudo passará em poucos segundos. O sol virá, o verão destruirá as plantações, a chuva voltará e novas paisagens crescerão.

Uma parede será pintada de outra cor, uma telha cairá, a janela que estava aberta se fechará.

“Você precisa entender”, o universo sussurra em meus ouvidos. “É a sua única chance”.

Eu sinto a pressão, pois sei que nunca poderei ver aquele dia novamente. O recorte daquela realidade para sempre se esvairá e meus pensamentos irão com ele.

Sou apenas o passageiro de um instante, movido pela certeza de que o instante é passageiro.


Eu descobri um tipo de fotografia muito interessante, que é basicamente ficar sentado no banco de trás do carro em movimento e fotografar paisagens e situações naquele rápido instante no qual elas acontecem. É um desafio. Na semana passada, quando tive a oportunidade de fazer isso, perdi muitas fotografias que ficariam perfeitas, porém um carro passou na frente e não fui ágil o suficiente. Mas também consegui alguns outros registros.

One thought on “ Passageiro de um instante ”

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