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Com uma câmera podemos transformar os objetos mais comuns em esculturas dignas de admiração. Percebemos o toque da luz em sua textura macia e as curvas de sua natureza dançando contra o fundo cheio de contraste. A fotografia direta iniciada nas primeiras décadas do século XX – quando um grupo de fotógrafos americanos chutou o balde contra o movimento pictorialista e resolveu fazer a sua própria história – trouxe a ideia de fotografar objetos do cotidiano em preto e branco com foco nos detalhes e texturas.

Quando recebi as fotografias do desafio que propus na semana passada, algo ficou pipocando na minha mente e fui correndo até a estante buscar o meu livro Tudo Sobre Fotografia para ter certeza que a minha intuição estivera correta. Na verdade, não estava, porque eu procurava por surrealismo, porém era a fotografia direta que me interessava.

  Foto enviada por Monica Toledo de Moraes  Twitter: @ monicatoledo  Instagram: @ monicatoledo
Foto enviada por Monica Toledo de Moraes Twitter: @ monicatoledo Instagram: @ monicatoledo

A Monica nos trouxe uma imagem que muito nos lembra esse conceito. Uma flor, que é comum no nosso dia a dia, porém repleta de detalhes, sombras e texturas. Ela traz um incômodo, que cria uma pulguinha atrás da orelha e nos instiga a questionar: “o que é isso que estou vendo?”.

Não é apenas o registro de uma flor, mas uma contemplação do que ela representa, que vai muito além do que enfeitar um jardim ou colorir um ambiente. Nesta foto eu vejo um ser vivo sendo retratado e removido de sua privacidade. É a representação de algo íntimo revelado aos olhos de todos.

  Foto enviada por Kori
Foto enviada por Kori

O que a fotografia direta nos mostra é essa necessidade do fotógrafo em mostrar o cotidiano como ele é. O desafio que eu trouxe pedia isso: que você fotografasse algo comum em um momento de tédio e criasse a oportunidade para que todos nós víssemos o seu olhar sobre o mundo.

Kori estava gripada e saía do posto de saúde quando fez essa fotografia. Talvez uma das atividades mais entediantes é ficar esperando ser atendido enquanto está doente. Ainda assim, ela nos traz uma visão poética e a dualidade de dois universos que precisam viver em união. As árvores sendo engolidas pela construção do ser humano sob um céu nublado, que cria um medo e terror.

Não sei se ela estava caminhando, mas percebo um movimento, essa nossa eterna situação de estarmos saindo de um lugar e indo para o outro. Não há nada mais direto do que isso.

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