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Você já deve ter visto esse tipo de personagem: um homem idoso, de mais ou menos 70 e poucos anos, que passa todos os dias do resto da sua vida reclamando de tudo.

Ele não gosta dos jovens conversando e rindo na frente da sua casa. Ele se incomoda com o trânsito da sua cidade com menos de 10 mil habitantes. Ele precisa que o almoço saia exatamente ao meio-dia, mas não faz nada a respeito; ele fica sentado esperando a comida se materializar no prato.

Mas ele adora falar de si mesmo. Ele ama que as pessoas deem atenção aos seus hobbies e ao que ele tem a dizer. Ora, ele já viveu o suficiente para isso. Ele é o mais experiente sobre todos os assuntos do universo. Ele vê uma construção, ele opina sobre a marca do cimento. Ele vê alguém comprando carne, ele sabe exatamente o corte que a pessoa deve pedir para que o churrasco seja bem sucedido e, se você der corda, ele ainda dirá quantos pães são necessários para cada pessoa.

Este senhor vê apenas o que ele quer. É a sua visão de mundo. É como a sua vida fora moldada desde o seu nascimento. O que ele vê é o certo e o que todos os outros veem é errado. Simples assim.

E todos nós fomos moldados da mesma maneira. Alguns de nós conseguimos alterar caminhos e opiniões. Porém, lá no fundo, continuamos sendo os mesmos e continuamos tendo a nossa visão exclusiva do que está diante de nós.

Por isso, gosto de perguntar quando faço uma fotografia:

“o que você vê?”

É assim que eu permito que a pessoa seja livre, que ela tenha a oportunidade de me contar o que ela enxerga em uma imagem. Eu não posso me impor sobre a visão do outro, mesmo que aquela obra tenha sido criada por mim. É ela quem escreve a história. É ela quem bota o ponto final na narrativa que eu iniciei.

O personagem acima é inspirado em um livro que li na semana passada: Um Homem Chamado Ove. É sobre um senhor que, depois de diversos traumas, está vivendo seus últimos dias em estado depressivo e querendo que tudo acabe. Ele tem uma visão do mundo, mas aos poucos vai percebendo que pode continuar sendo ele mesmo, porém se adaptando.

Todos somos assim.

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